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Neoway · 2025–2026

Lumen

Transformando uma Data Search em Sales Intelligence Platform com IA

Transformação do Search da Neoway em infraestrutura de prospecção com IA aplicada — reduzindo dependência de CS e acelerando ativação. MVP piloto com ganhos mensuráveis — e base de arquitetura para o capítulo seguinte: Digital Audience.

−41%

Tempo de configuração de busca

−32%

Tickets de suporte

54%

MRR nichado em prospecção

Minha função

Product Designer · discovery, pesquisa e delivery do MVP de IA

Duração

Jan 2025 — Mar 2026 (end-to-end)

Tipo

Discovery + Redesign + MVP IA + Delivery

Contexto

Search B2B · R$ 3,3M MRR · Grupo B3

Resumo executivo

Lumen transformou o Search da Neoway (R$ 3,3M MRR, 220 clientes) — produto com 87% de dependência mensal de CS e 12–18 min por busca qualificada. Entrei com a V1 em implementação, conduzi diagnóstico heurístico e dois testes de usabilidade, nichamos escopo via MRR por vertical e entreguei MVP de Pesquisa Inteligente. Piloto: −41% tempo de configuração, −32% tickets. A arquitetura de sidebar e filtros deixou pronta a base para o Digital Audience; ao concluir o Lumen, fui realocada para desenhar essa interface — em meio a 3 PMs e 2 Heads trocados.

Introdução

Quando entrei no projeto, a proposta parecia simples: evoluir um novo produto de busca para substituir uma solução legada.

Search — solução legada

Problema

O produto

A Search era o principal motor na jornada de geração de leads B2B da Neoway.

  • R$ 3,3M de MRR · 220 clientes ativos · 91% dos clientes utilizavam o Search
  • Ticket médio: R$ 17K
  • Principais verticais: Inst. Financeiras (41%) · Tech & Telco (17%) · Serviços (15%)
  • Atendia múltiplas BUs: Sales & Marketing, Risk & Compliance e Legal Analysis

O problema estrutural

O produto funcionava, mas não escalava.

  • 87% dos clientes recorriam aos Customer Success mensalmente
  • 12 a 18 minutos para configurar uma busca qualificada
  • Alto abandono em sessões com mais de 5 filtros
  • Forte dependência de código legado
Hipótese: O usuário precisava aprender a linguagem do sistema. O sistema não falava a linguagem do usuário.

O agravante organizacional

Durante o projeto, a empresa estava em reestruturação após aquisições. Perdi 3 PMs consecutivos, o Head da BU saiu, e a cada troca de gestão a direção do produto era requestionada.

Contexto organizacional (detalhe)

A cada troca de PM, reuni ADRs, gravações de teste e hipóteses validadas em doc compartilhado — o 3º PM usou como onboarding. Mantive coerência de arquitetura frente a retrocessos propostos por gestões novas. Isso não estava no meu escopo formal, mas evitou reteste de decisões já fechadas.

Escopo e papel (detalhe)

Como Product Designer, conduzi discovery e delivery do MVP de IA: diagnóstico heurístico, testes V1 e V2, personas comportamentais, benchmark, protótipo V2 e salvaguardas com Eng. Traduzi mudanças estratégicas em soluções práticas, conectei jornadas fragmentadas entre Search, On Target e Marketing (só API), e estruturei decisões de arquitetura que depois apliquei diretamente no Digital Audience, ao ser realocada após a conclusão do Lumen.

O insight

O problema era o modelo conceitual, não a interface

Os testes deixaram claro uma fricção semântica entre o modelo mental dos usuários e a taxonomia do sistema. Melhorias de layout ou onboarding não resolveriam: verticais diferentes usam vocabulários, workflows e critérios próprios. A baixa autonomia não era falta de instrução — era efeito de uma interface genérica tentando atender Jobs to Be Done incompatíveis.

Hipótese 1

Condução autônoma

A interface, por si só, deveria guiar o usuário para iniciar a pesquisa, sem necessidade de estado vazio, filtros avançados, onboarding, treinamento prévio ou apoio do CS para identificar os filtros e suas categorias.

Hipótese 2

Fricção semântica

Se reduzirmos a fricção entre linguagem natural do usuário e taxonomia técnica da base, o tempo de configuração cairá pelo menos 30%, a dependência de CS reduzirá significativamente e a ativação de filtros avançados aumentará.

Diagnóstico V1

Ao entrar no time, o Lumen — redesign do Search — já havia começado implementação. Conduzi análise heurística e teste de usabilidade com 7 CSs de Sales & Marketing antes de propor mudanças.

Diagnóstico V1 — protocolo completo

Análise heurística: mapeei 8 passos da jornada (extrair oportunidades → importar → de:para → segmentar → explorar → exportar → acompanhar performance). Teste V1: 7 CSs (4 novos <4 meses, 3 antigos >1,5 ano), pensamento em voz alta, 1h cada. Protocolo com 4 tarefas estruturais, critérios formalizados (usabilidade, função, nomenclatura) em 15 elementos. Tarefa 1 — Pesquisa com filtros de situação cadastral, funcionários e telefone. Tarefa 2 — Observar resultados e adicionar filtro de região. Tarefa 3 — Abrir profile e comparar CNAE de 3 empresas. Tarefa 4 — Enviar pesquisa para outro aplicativo e localizar exportação. 13 de 15 componentes aprovados nos três critérios.

Teste de usabilidade — Lumen V1

Passos 2–5 concentravam a fricção

Era onde o usuário precisava traduzir necessidade de negócio para linguagem técnica da plataforma.

V1 não garantia autonomia

Layout horizontal mal recebido · Sugestão automática confusa · 'Seus Dados' mal interpretado · 4 de 11 pediram ajuda · CSs sinalizaram risco operacional em onboarding em massa.

Escopo e direção

  • 54% do MRR nas 3 maiores verticais de prospecção
  • Maior frequência de uso diário: jornada de prospecção Sales & Marketing
  • On Target organizava leads, mas não resolvia descoberta
  • Marketing não possuía produto — apenas APIs

Sales Intelligence Platform — orientada à intenção, não só busca.

A decisão

Propus posicionar o produto como Sales Intelligence Platform orientada à intenção — análise, qualificação e ação em um fluxo. PM validou após ver MRR por vertical. Enfrentei resistência de Risk e Legal; sacrifiquei melhorias paralelas para nicho → validação → escala.

Research detalhado: personas, jornada e benchmark

Personas comportamentais (8 entrevistas, ~1h): refinei hard/easy users da BU. · Inteligência de Mercado — precisão estratégica, alta familiaridade com filtros, busca exploratória. Confiança = completude dos dados. · Pré-vendas — velocidade operacional, triagem de leads, atalhos. · Vendedor — contexto acionável, baixa familiaridade com filtros, espera que o sistema trabalhe por ele. Padrões: top-down (maior ticket) vs. bottom-up (maior volume). Jornada: Search → On Target → Marketing quebrava fluxo cognitivo — Marketing era só API. Benchmark ZoomInfo, Lusha, Apollo: onboarding contextual, 'ignorar' filtro, barra vertical, jornada integrada Sales & Marketing.

Solução

Decisões de design

Seis escolhas estruturais que traduzem a hipótese de fricção semântica em interface. Clique nos números ou role a lista para explorar cada decisão.

Dashboard Buscar e Prospectar com callouts numerados das decisões de design
Protótipo final — decisões numeradas

Layout vertical com fluxo linear de pesquisa

Verticalização dos filtros com categorias expandíveis no painel lateral esquerdo — validado no teste V2 vs. horizontal rejeitado na V1.

De nomes de produto para verbos de jornada

Sidebar passou a usar verbos: Conhecer/Pesquisar, Priorizar, Monitorar, Mensurar.

Busca de filtros com IA como ponto principal

Barra 'Buscar filtros com IA' — traduz linguagem natural em filtros técnicos com tags editáveis.

Pipeline sem sair da tela

Fluxo contínuo de descoberta → priorização → ação.

Três visões unificadas, incluindo Maps

Lista, dashboard e mapa no mesmo contexto de pesquisa.

Totalizadores e filtros do On Target integrados

Recomendações de priorização dentro do fluxo de busca.

Buscar filtros com IA — decisões de produto

Créditos mensais (200/query piloto) em vez de ilimitado: custo de inferência ~R$ 0,08/query exigia teto visível. Limite educa o usuário sobre consumo e evita surpresa de custo para a empresa. Risco aceito: fricção se esgotar — mitigado com aviso antes de zero e sugestões para reformular busca.

Painel Buscar filtros com IA — sugestões e campo de linguagem natural
Buscar filtros com IA — input

Menu para opções

Limpar histórico de busca para nova sessão — evita contexto stale da IA.

Perguntas sugeridas

Reduz blank-page anxiety para usuários indecisos — atalho para primeira query.

Caixa de conversa com a IA

Entrada em linguagem natural — escopo limitado a tradução de filtros, não chat aberto.

Botão de enviar

Habilita ao digitar — feedback imediato de que a ação está disponível.

Créditos

Saldo visível no input — decisão de produto: teto mensal vs. ilimitado (ver decisão #7).

Painel Buscar filtros com IA em estado de carregamento, com callouts de especificação
Buscar filtros com IA — carregamento

Card do usuário

Tom muted e recuo — diferencia input do usuário da resposta da IA.

Card IA — carregando

Highlight + ícone — feedback de processamento durante latência (<1,5s acordado com Eng).

Créditos

Saldo permanece visível durante carregamento — usuário sabe o custo antes do resultado.

Racional de IA — detalhe técnico

Descartei chatbot conversacional amplo. Estratégia: IA contextual em micro-momentos — previsibilidade (escopo visível), confiança incremental (cada tradução bem-sucedida), autonomia preservada (usuário edita tags). Pipeline: interpretação de texto livre → mapeamento semântico → aplicação de filtros prováveis → log de padrões. Resistência técnica: latência, custo/query, risco de interpretação incorreta. Salvaguardas negociadas com Eng: fallback manual, tags editáveis, latência <1,5s, sugestões na barra, sinalização de incompletude, placeholder com exemplos, limites visíveis.

Validação V2

Setup do teste

Protocolo

14

Participantes

1h

Entrevista individual

7+7

CSs + clientes S&M

  • Bottom Up
  • Key Account
  • Parceiros
  • Top Down
  • Capital Markets

Recorte: perfis novos (<4 meses) e experientes (>1,5 ano).

Condução

Conduzi teste V2 com tarefas que simulavam rotina: descrever lead ideal, refinar resultados, salvar seleção, seguir para priorização. Observei tempo, hesitação e entendimento da tradução NL→filtros.

Achados

Validação

14/14

Iniciaram pela busca textual

0

Pedidos de ajuda no teste

7 CSs

Demonstraram vontade de migrar clientes

Detalhes

Pontos de atenção

'Ignorar filtro' gerou dúvidas — alternativas: Excluir, Bloquear, Não considerar. Nomenclatura 'Valor' manteve confusão semântica persistente desde a V1 — backlog pós-MVP.

Tarefas do teste V2

O roteiro foi estruturado em 9 trilhas: 1. Primeiras impressões, com análise visual sem interação 2. Identificações 3. Início da pesquisa, campo textual vs. seletores de filtro 4. Trilha 1 (valor direto) vs. Trilha 2 (filtro por categoria) 5. Conexão das trilhas, teste sem barra de busca 6. Plot twist: "ignorar" filtros previamente incluídos 7. Categorias: "Seus Dados" vs. "Dados Gerais" 8. Central de filtros, localização e compreensão 9. Dashboard, visão geral vs. visão em lista.

Decisões-chave

Diagnóstico

01

Pausei o redesign antes de propor UI

Entrei com a V1 já em implementação. Conduzi análise heurística de 8 passos e teste com 7 CSs antes de qualquer mudança de interface — duas semanas de diagnóstico que evitaram shipping prematuro.

02

Bloqueei confiança em onboarding em massa na V1

4 de 11 participantes pediram ajuda no teste V1. Argumentei com PM que lançar onboarding em massa aumentaria tickets e risco de churn; priorizamos autonomia antes de escala.

03

Estado cheio, não vazio

Estado vazio era mais limpo, mas não orientava. Escolhi estado cheio com totalizadores (60M+ empresas, 24M+ ativas) apesar da resistência estética — alinhou com modelo mental B2B marketplace.

Produto e IA

04

Nichei escopo via MRR, não consenso de BU

Propus focar prospecção Sales & Marketing (54% do MRR nas 3 maiores verticais). PM validou após ver dados; sacrifiquei melhorias paralelas de Risk, Compliance e Legal para fechar MVP em prospecção.

05

Mantive layout vertical com gravações

2º PM propôs voltar ao layout horizontal pós-testes. Apresentei gravações de 14 participantes e argumento de risco: CSs não recomendariam onboarding com V1. V2 mantida.

06

IA contextual, não chatbot

Descartei chat amplo após benchmark (ZoomInfo, Apollo) e resistência de Eng a latência/custo. Priorizei tradução NL→filtros com tags editáveis e fallback manual.

07

Créditos visíveis, não ilimitado

Eng estimava ~R$ 0,08/query de inferência. Propus créditos mensais por conta (pacote piloto: 200/mês) em vez de ilimitado — tradeoff: custo previsível × risco de fricção se esgotar sem aviso. Hipótese: limite visível aumenta confiança. Sacrifício: usuários heavy precisariam de upgrade.

08

Salvaguardas técnicas com Eng antes do MVP

Negociei com Tech Lead: fallback manual obrigatório, tags editáveis, latência <1,5s, sinalização quando IA não interpreta. Sem isso, não lançava — risco de confiança era maior que ganho de autonomia.

Organização e impacto

09

Continuidade entre 3 PMs

A cada troca, reuni ADRs + gravações + hipóteses validadas em doc compartilhado. Quando o 3º PM entrou, evitamos reteste de decisões já fechadas — PM usou o doc como onboarding.

10

Arquitetura reutilizável pensando no Marketing

Estruturei sidebar e filtros reutilizáveis no Lumen pensando na jornada de Marketing — que ainda existia só como API. Essa base foi o que, depois do MVP do Search, acelerou o capítulo seguinte: a interface do Digital Audience.

Resultados e medição

Resultados do MVP piloto

−41%

Tempo de configuração

−32%

Tickets de suporte

14

Participantes no teste V2

Piloto: ~38 contas Sales & Marketing (~17% da base ativa do vertical), fev–mar 2026.

Como medimos

−41% tempo de configuração

Mesmas 4 tarefas estruturais — V1: 7 CSs, média 14,2 min · V2: 14 participantes (7 CSs + 7 clientes), média 8,4 min. Redução ~41% entre sessões moderadas; não foi A/B em produção.

−32% tickets de suporte

Zendesk "configuração de busca / Search" — média de 47 tickets/semana nas 3 semanas pré-MVP (jan 2026) vs. 32/semana nas 3 semanas pós-lançamento piloto (fev 2026), mesma base de categorização.

Próximo capítulo: Digital Audience

Com o Lumen concluído, fui realocada para o Digital Audience — produto que existia apenas como API. A arquitetura de sidebar e filtros reutilizáveis que estruturei no Search virou a base do capítulo seguinte.

Após concluir o Lumen, continuei no Digital Audience — liderando o design da interface que transformou API em produto na plataforma, com decisões, fluxos e entregas do MVP.

Digital Audience — De API a interface de audiências digitais →

A ferramenta operacional generalista de busca se tornou

Infraestrutura de ponta a ponta para jornada inbound e outbound de prospecção.

Com motor semântico via IA

Lumen reduziu ~41% do tempo de configuração na pesquisa (teste V1→V2) e −32% nos tickets de suporte — mesmo em meio a alta instabilidade organizacional.

Product Designer

Nathalia Maciel

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